quinta-feira, 24 de janeiro de 2008














"Se você deseja uma reprodução fotográfica, não compre um Picasso. Se você deseja uma música popular, não ouça Coltrane"
- Ralph J. Gleason, 1960

Concordo com Ralph J. Gleason, mas apenas no que diz respeito à produção de Coltrane após A Love Supreme. Apesar da bagunça que ele causava no público na época em que se apresentava com Miles Davis, tocando um sax que as pessoas nunca haviam escutado antes, mesmo assim considero o Coltrane dessa época "popular".

Blue Train foi composto nessa primeira fase, o primeiro esforço sério e concentrado de Coltrane como compositor. Um disco muito bem pensado, realizado pela Blue Note, um selo muito mais cuidadoso do que a Prestige Records (que tinha Coltrane sob contrato), conhecida por sua "política de take único". A faixa título está entre os temas mais marcantes da história do compositor

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No primeiro post deste espaço, escrevi: "O Out to Jazz! terá pelo menos uma atualização semanal. Não necessariamente vou falar sobre um disco. É provável, na verdade, que eu apenas coloque aqui uma capa. Pra ser 100% sincero, eu queria criar um fotolog, mas sempre falei mal de fotologs, e se tem uma coisa que eu prezo na minha vida é ser coerente. "

Visivelmente não cumpri a promessa das atualizações, em parte porque me forçava a escrever sempre algumas palavras. Podem parecer palavras simples e de pouca elaboração, mas foram palavras que sempre tomavam seu tempo - afinal de contas, possuo um carinho muito grande por cada disco aqui apresentado.

No entanto, acho que as coisas vão mudar. Se eu falava pouco, vou falar menos. Por outro lado, as postagens devem aumentar. Vou tentar, pelo menos. O fato do Oink estar fechado não favorece... está mais difícil achar bons discos por aí. De toda sorte, a função deste espaço continua a mesma: recomendar bons álbuns, clássicos em sua maioria, à pessoas que nunca escutaram jazz na vida
Aproveitando, segue a lista dos discos recomendados em 2007:

Eric Dolphy – Out To Lunch!
John Coltrane – Giant Steps
John Coltrane – Africa / Brass Sessions
Medeski, Martin and Wood – Tonic
Medeski, Martin and Wood – Last Chance to Dance Trance (perhaps)
Chet Baker – The Last Great Concert (My Favorite Songs, vol. 1 & 2)
Miles Davis - The Birth Of The Cool
Duke Ellington – Money Jungle
Charles Mingus – The Clown
Charles Mingus – The Black Saint and the Sinner Lady
Miles Davis – Bag´s Groove
Roland Kirk - Rip, Rig and Panic
McCoy Tyner - The Real McCoy
Miles Davis – Kind of Blue

sábado, 29 de dezembro de 2007














É triste possuir tão pouco tempo para escrever aqui. Como ouvi em alguma música esses dias, só tenho tempo para pensar no tempo que eu não tenho. De toda sorte, encerro esse primeiro ano de recomendações com um dos mais influentes álbuns da história do jazz. Kind of Blue é a perfeição registrada em sons; uma mudança na carreira de Miles Davis que levaria a uma mudança em todo o mundo do jazz. Muito já foi dito sobre o disco, e realmente no momento não me sinto na posição de acrescentar nada. Deixo registrado, apenas, que nesta gravação mais uma vez encontramos músicos previamente citados neste espaço - John Coltrane, Paul Chambers, Bill Evans - que, juntos, foram responsáveis pelos mais brilhantes álbuns gravados nos anos 50 e 60

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

















Não chega a ser fantástico, mas The Real McCoy é de uma honestidade que merece admiração. Uma das melhores obras do senhor Tyner, antes de seus discos mais piradinhos que estavam mais pra free do que pra lá.

McCoy Tyner, como já citado em outros posts, fazia parte do lendário quarteto do lendário John Coltrane. Como o último disco aqui recomendado, também conta com a presença de Elvin Jones na bateria, ou seja, temos aqui metade das lendas trabalhando em músicas que, por que será, te lembrarão bastante do saxofonista mais querido deste espaço

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007



The Inflated Tear talvez seja o disco mais comentado do boa praça Rahsaan Roland Kirk. Não da pra ver, no entanto, mas a capa acima é na verdade de Rip, Rig and Panic, essa sim, obra que merece destaque neste espaço.

Demorei muito, mas deixo apenas quatro registros: primeiro, que o Sr. Kirk não era um multi-instrumentista, mas O multi-instrumentista (vide foto), desses de tocar três instrumentos ao mesmo tempo. Mais que O multi-instrumentista, era um camarada tão fora de série que mandou fazer um saxofone especial e continuou tocando mesmo depois que um derrame paralisou todo o lado direito de seu corpo. O Sr. Kirk contribuiu também com boas gravações do Mingus Sextet, entre elas o Mingus Oh Yeah!, já citado aqui como um de meus discos favoritos. O terceiro registro é que esse álbum aí conta com a presença de Elvin Jones na bateria, o lendário músico do lendário quarteto do lendário John Coltrane. Por fim, intimo todos a escutarem From Bechet, Byas, And Fats, faixa que me motivou a comentar esse disco aqui. Piano e metais de um bom gosto e qualidade sem precedentes na obra do Sr. Kirk. Fraseado grudento. Bateria precisa, de expressão indescritível. Tudo muito bem amarrado pelo baixo do Richard Davis.

Vale mencionar que o título vem de Sidney Bechet, Don Byas e Fats Waller

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quarta-feira, 3 de outubro de 2007



Desculpem o sumiço. Culpem o Superior Tribunal de Justiça, a professora Flávia Biroli, minha querida Déborah, entre outros. O fato é que ainda vou escrever algumas palavras a respeito do Rahsaan Roland Kirk, mas enquanto isso não acontece vocês podem baixar esse disco aí.

Bag´s Groove é o melhor disco do Miles desde seu início até 1959, ano do Kind of Blue. Como vocês podem ver pela capa, temos participações de lendas como Monk e Sonny Rollins. Monk aparece na faixa título, dona de um fraseado que dificilmente larga sua mente logo que você tenha escutado seus dois takes.

Algumas das sessões do dia em que este disco foi gravado deram origem ao Miles Davis and the Modern Jazz Giants mas, como todos os discos gravados até o supracitado Kind of Blue, não possui a mesma genialidade encontrada nestas sete faixas

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Estou me preparando para falar do Rahsaan Roland Kirk. Não vai sair nada demais, mas em breve alguma coisa eu coloco aqui